O Pantanal

O Pantanal

O Pantanal

O Bioma Pantanal é uma das maiores planícies inundáveis da Terra, considerado “Patrimônio Natural” pela Constituição Brasileira (1988) e “Reserva da Biosfera” pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em 2000 (Harris et al., 2005).

Está totalmente inserido na Bacia do Alto Paraguai (BAP), localizado no centro da América do Sul com cerca de 147.629 km2, representando 41% da bacia (ANA et al., 2004), e é compartilhado pelo Brasil, Bolívia e Paraguai, onde a maior parte está no Brasil, nos Estados de Mato Grosso do Sul (65%) e Mato Grosso (35%).

Devido a sua localização geográfica, está em contato com diferentes regiões naturais, com influências de outros biomas como o cerrado, as florestas amazônicas e da bacia do rio Paraná e o Chaco boliviano. Sofre influência direta do planalto do entorno, que são as terras altas (montanhas, morros, chapadas e depressões), e a pluviosidade anual média da região atinge 1100 mm, com período mais chuvoso de novembro a março e menos chuvoso de abril a setembro (Mourão et al., 2004).

PULSO DAS ÁGUAS: RELEVO, CLIMA E SOLO

Apesar do nome, o Pantanal não é um pântano, e sim uma imensa planície sedimentar que sofre inundações periódicas, ao contrário do pântano que é sempre alagado. O relevo pantaneiro possui uma característica muito particular: a baixa variação na declividade do terreno. Assim as cheias anuais ocorrem pelo extravasamento das margens dos leitos dos rios, que inundam os campos em uma parte do ano.

O pulso das águas também é responsável pela formação de:

• Vazantes: são campos de inundação sazonal entre cordilheiras. São, em sua maioria, de caráter intermitente, mas, em locais onde o lençol freático está mais próximo da superfície, apresentam-se permanentemente inundados (FRANCO e PINHEIRO, 1982).

• Baías e salinas: Lagoas permanentes e intermitentes, onde as baías são de água doce e as salinas, de água salgada (Abdon, et al., 1998).

Em média o tempo de trânsito das águas é de 5 a 6 meses, desde o Norte até o Sul, carregando sedimentos: é a dinâmica do pulso das águas levando a vida. O clima do Pantanal classifica-se, segundo koeppen, como clima tropical úmido, com verão chuvoso e inverno seco e a temperatura média anual é de 25°C. No Pantanal Sul Mato-grossense os solos são de origem sedimentar, onde 92,5% são solos hidromórficos (solo de área úmida), segundo Amaral, 1986. Isso acarreta em limitações à lavoura, pois os solos são inférteis, como também periodicamente alagáveis.

VEGETAÇÃO

A vegetação no Pantanal é adaptada a longos períodos de inundação (Adámoli, 1982) e não possui endemismos, sendo influenciada principalmente pelos ambientes que o circundam como o Cerrado, Chaco, Floresta Amazônica, Mata Atlântica (Ratter et al., 1988; Dubs,1994). Os principais tipos de vegetação formadas por árvores de médio-grande porte são matas ciliares, cordilheiras e capões de mata, além de matas de para-tudo (Paratudais) e de carandás (Carandazais). Os capões e cordilheiras (cordões de mata) são cercados por campos não florestados e não alagam no período de cheias do Pantanal, funcionando como refúgio onde espécies intolerantes à inundação podem se estabelecer (Oliveira Filho e Martins, 1991).

BIODIVERSIDADE

Devido a sua localização, a vegetação pantaneira é um mosaico de diferentes ecossistemas. Ela é influenciada diretamente por três importantes biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica e ainda sofre influência do bioma Chaco (nome dado ao Pantanal localizado no norte do Paraguai e leste da Bolívia). A paisagem no Pantanal é composta por campos, baías, salinas, cordilheiras, capões, corixos ou vazantes. O pantanal possui uma variação muito grande de espécies vegetais e, por conseguinte, animais, e tem como característica uma interdependência com o fluxo das águas, gerando uma grande biodiversidade e, de acordo com aspectos florísticos, pedológicos e das inundações, o Pantanal pode ser dividido de oito a onze sub-regiões (Nunes e Tomas 2004).

Quanto à fauna, a planície não é geradora de nenhum endemismo, mas é um local onde se pode encontrar facilmente exemplares da fauna brasileira ameaçada de extinção como tamanduá-bandeira, cervo-do- pantanal, ariranha e a arara azul. O Pantanal é considerado uma das vias mais importante para aves migratórias dos hemisférios Norte e Sul. Possui 263 espécies de peixes, 41 espécies de anfíbios, 113 espécies de répteis, 463 espécies de aves e 132 espécies de mamíferos (BRASIL, 2017).

ECONOMIA E AMEAÇAS

A exploração da planície pantaneira iniciou no século XVII, com a procura de metais e pedras preciosas pelos bandeirantes paulistas. Após a ocupação, exploração e esgotamento das minas de Cuiabá em 1718, a região voltou a prosperar no início do século XX, a com a chegada de pecuaristas e das primeiras atividades industriais como a fabricação de caldo e extrato de carne e curtição de couro (Por et al., 2003). Nas décadas de 1950 e 60 a caça do jacaré-do-pantanal (Caiman yacare) abastecia o crescente mercado internacional. Porém, essa atividade foi responsável pelo declínio das populações de jacarés na região e, mesmo com a proibição da caça em 1967, a atividade só parou na década de 1980, quando o mercado internacional passou a exigir peles legalizadas (Verdade, 2004). Atualmente, a pecuária bovina extensiva, a pesca e o turismo são as principais atividades econômicas do Pantanal (BRASIL, 1997). Em algumas áreas, o manejo é feito com a rotação de pastagem nativa, que anualmente é queimada. Em outras, o desmatamento cresce exponencialmente, onde o cerradão e a mata estão dando lugar à pastagem cultivada.

O turismo é uma atividade crescente no Pantanal, o qual se bem estruturado e organizado é uma alternativa econômica que ajudará na conservação da flora e fauna pantaneira. Por apresentar uma belíssima paisagem aberta e de fácil visualização da fauna o Pantanal é um dos mais exuberantes atrativos de contemplação para o turismo de observação, rural e ecológico.

Nas últimas décadas, a pressão pela implantação de projetos de desenvolvimento com sérios impactos ao meio ambiente aumentou, entre eles, a instalação de hidrelétricas nas cabeceiras dos rios, produção de carvão e a construção de hidrovia no rio Paraguai. Essas atividades executadas sem responsabilidade levam a descaracterização do habitat. O ciclo das águas é o que mantem a biodiversidade pantaneira e, qualquer modificação pode comprometer os ecossistemas e alterar toda essa paisagem (Almeida et al., 2003).

Apesar do conhecimento sobre a relevância do Pantanal e do seu entorno para a manutenção dos recursos hídricos e para a conservação da biodiversidade regional, há poucas áreas que garantem a proteção da BAP (Bacia do Alto Paraguai). A partir de dados oficiais obtidos na Secretaria de Meio Ambiente do Mato Grosso do Sul (SEMA/MS) e no Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), apenas 2,9 % da BAP e 4,5% da área do Pantanal estão protegidos por algum tipo de unidade de conservação (Harris et al., 2006).

Estudo indicam que a vegetação nativa da BAP está seriamente comprometida, devido principalmente ao aumento da pressão de ocupação humana, associada à falta de critério e fiscalização na emissão de licenças para desmate expedidas pelo governo. Se a taxa de desmatamento se mantiver em 2,3% ao ano, dentro de pouco mais de 45 anos a cobertura vegetal original do Pantanal estará perdida completamente e/ou modificada de tal forma que será improvável reconstituir os processos climático-hidrológicos e a rica biodiversidade regional. A situação atual revela que as políticas públicas adotadas para a região da BAP, incluindo a região do Pantanal, estão muito longe das reais necessidades de conservação e uso sustentável deste patrimônio, somadas a uma aparente inoperância do poder público em fazer cumprir a regulamentação já existente (Harris et al., 2006).

Deste modo, o Pantanal é uma área muito significativa para a conservação, devendo ser priorizada em programas regionais e merecendo especial atenção devido à sua vulnerabilidade aos principais vetores de impacto atuantes na região (Olson et al., 1998).

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