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Um projeto que ajudou (e continua ajudando) a crescer a população de araras-azuis-grandes (Anodorhynchus hyacinthinus) de vida livre e levanta dados sobre outras espécies que coabitam com elas – em outras palavras… querido Projeto Arara Azul! Neste texto viemos contar detalhes sobre esse trabalho tão importante que desenvolvemos no Pantanal!

Foto: João Marcos Rosa

 

Primeiramente: quando e por quê as araras-azuis quase desapareceram?

Ainda na década de 80, estudos já mostraram que as araras-azuis-grandes estavam ameaçadas de extinção. O motivo? A perda de habitat, devido ao desmatamento, associada à captura desses animais na natureza, por caçadores para vendê-las no Brasil e no exterior e ainda, a captura para coleta de penas para confecção de souvenirs quase dizimaram as suas populações.

 

Origem do Projeto

Carismática e ameaçada, ao final de 1989, a espécie chamou a atenção da nossa bióloga Neiva Guedes. Foi quando Neiva avistou um bando de araras-azuis no Pantanal, que ela decidiu fazer delas, o seu projeto de vida: em 1990 nascia o Projeto Arara Azul. 

Foto: Claudia Gaigher

Desde então, os objetivos principais do nosso trabalho são: manter as populações de araras-azuis viáveis a médio e longo prazo na natureza e conservar o Pantanal e a sua biodiversidade como um todo. 

 

Onde atuamos

Foto: João Marcos Rosa

Atuamos no bioma com a maior concentração de indivíduos dessas gigantes azuis: o Pantanal! O início dos trabalhos foi na Fazenda Nhumirim, no Pantanal da Nhecolândia, porém fomos expandindo e hoje atuamos no Cerrado de Mato Grosso do Sul e também temos uma base na região de Barão de Melgaço, na Fazenda São Francisco do Perigara.

Na propriedade há um aglomerado de palmeiras bocaiúvas (Acrocomia aculeata), chamado de bocaiuval. Essa palmeira é essencial para a espécie, que no Pantanal, alimenta-se principalmente das sementes da mesma e as do acuri (Scheelea phalerata). Sem grandes perturbações, o local é um verdadeiro refúgio à elas. 

Cacho de bocaiúva à esquerda e acuri à direita. Fotos: Kefany Ramalho

 

O que fazemos 

Para atingir nossos objetivos, destrinchamos as nossas ações em VÁRIAS frentes, que vão desde a observação dos animais em vida livre até o monitoramento dos ninhos e todas as etapas de reprodução. Veja em detalhes essas ações:

 

  • Observação das araras (avistamento):

Ao avistar araras-azuis e outros psitacídeos em nossa área de atuação, anotamos suas atividades, comportamentos e todos os dados que pudermos sobre esses animais de vida livre;

Foto: Ana Cecília Lourenço

  • Observação e cadastramento de ninhos naturais:

Também anotamos todos os dados de ninhos naturais – medidas da cavidade e, se ainda não está ocupado, o potencial de ocupação por um casal de arara-azul. Para os acharmos, observamos os comportamentos das araras na natureza que indicam nidificação, como vocalização e defesa. Também contamos com a ajuda de fazendeiros locais.

Foto: Cézar Corrêa

  • Instalação de ninhos artificiais:

Ao longo dos nossos estudos, percebemos que não havia ninhos naturais suficientes para as araras-azuis na natureza.

Elas são os maiores representantes do mundo de sua família – Psittacidae –  e precisam de cavidades grandes o suficiente, para suportar ao menos um adulto e seus filhotes. Associado à esse fato, está a competição: várias outras espécies disputam ninhos com elas, como abelhas, araras-vermelhas, papagaios-verdadeiros, tucanos, morcegos, falcões, corujas, pássaros, urubus e até mesmo patos! Para ver a lista completa, clique aqui

Infelizmente, isso não é tudo: ameaças como o desmatamento e os incêndios contribuem para que os ninhos fiquem ainda mais escassos. Diante destes fatos, desde 1991 confeccionamos e instalamos centenas de ninhos artificiais no Pantanal, em áreas com poucos ninhos ou, para suprir a perda de um. 

A ocupação deles é um sucesso, em muito pelas queridas araras-azuis, mas também por outras espécies.

Arara-azul em um ninho artificial. Foto: Kefany Ramalho

  • Recuperação de ninhos naturais e artificiais:

A ação do tempo, assim como as araras, podem fazer um estrago nos ninhos naturais e artificiais. Nesta frente, recuperamos os ninhos danificados ou que estão inviáveis para a ocupação.

Foto: Cézar Côrrea

  • Monitoramento de todos os ninhos cadastrados:

Todos os ninhos artificiais e naturais cadastrados são monitorados. Para isso, dotados de técnicas de escalada e rapel, subimos nas árvores, acompanhando de perto cada um deles. Somado à essa parte prática, analisamos imagens de microcâmeras instaladas neles, que nos fornecem mais dados sobre os animais.

Foto: Lucas Rocha

Em nosso monitoramento, observamos se há ocupação nos ninhos, e se houver, por qual espécie (araras-azuis ou outras). Observamos a postura dos ovos das araras-azuis, todo o seu período de incubação, o nascimento e o crescimento dos filhotes.

Foto: Flávia Bouch

Um pouco antes do filhote voar, fazemos o manejo dele rapidamente: colocamos uma marcação para que seja possível identificá-lo depois, coletamos amostras biológicas como sangue e fezes para análise sanitária, genética e determinação do sexo da ave (sim, a sexagem em aves é comumente feita através de amostras de sangue).

Nossas ações não param por aí: dados comportamentais das aves em seus ninhos são coletados e quando há casos pontuais de ninhos com histórico de predação de ovos ou filhotes, nossa equipe faz o manejo técnico. 

Foto: Aline Calderan

  • Educação ambiental:

Também realizamos palestras e atividades educativas sobre as araras-azuis, o nosso trabalho e seus resultados na conservação da espécie e a importância de conservar a biodiversidade!

 

Conquistas do Projeto 

No início do Projeto, a população desses psitacídeos estava ameaçada de extinção. Ao longo de nossas atividades, ela não só cresceu, como também expandiu sua região de ocorrência. 

A espécie, inclusive, saiu do Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção e mudou de status de conservação na lista internacional de espécies ameaçadas, da International Union for Conservation of Nature (IUCN) – passou de ameaçada para vulnerável. Isto pois, a sua população, antes estimada em 2500 indivíduos maduros, passou a ser estimada em 4.300 indivíduos.

Foto: Instituto Arara Azul

Sobre os ninhos, já temos mais de 880 cadastrados e monitorados! Desses, 480 são naturais e 400 artificiais, criados e colocados por nossa equipe. E estudamos mais de 30 espécies que coabitam com elas nos locais de nidificação.

 

Conheça o nosso trabalho: Turismo de Observação

Caso queira vê-las na natureza e observar nosso trabalho de pertinho, realizamos Turismo de Observação com os hóspedes do Refúgio Ecológico Caiman, no Pantanal de Miranda. Hospede-se neste ambiente maravilhoso!

Também realizamos turismo de observação em outros locais no Pantanal Sul. Entre em contato com nossa equipe no e-mail contato@institutoararaazul.org.br ou pelo telefone (67) 3222-1205 para agendar! 

Foto: Fernanda Fontoura

 

Como ajudar

Felizmente, há várias maneiras de ajudar o nosso trabalho – todas, extremamente importantes para continuarmos nossas ações. Mas, podemos dizer que a principal delas é através de nossa Campanha Adote um ninho!

Foto: Kefany Ramalho

Adote um ninho

Infelizmente, a velocidade de degradação e perda de ninhos naturais é muito maior do que a velocidade de surgimento de novos. Isso pois a quantidade de manduvis, principal árvore utilizada para nidificação, está diminuindo na natureza devido aos desgastes do tempo. Por isso, a implantação constante de ninhos artificiais é tão importante – e para conseguirmos instalá-los e monitorá-los, precisamos da sua ajuda. 

Apadrinhando um ninho, você irá ajudar não só as araras-azuis, como outras espécies que podem vir a utilizá-lo na natureza, contribuindo com a biodiversidade pantaneira. Ao se inscrever, você receberá um kit de boas-vindas com foto exclusiva do ninho apadrinhado, será divulgado no marketing da nossa campanha Adote um Ninho e mais do que isso: durante o período reprodutivo das araras, você receberá informações sobre seu ninho e demais informações sobre o projeto, ao nascer um filhote, você pode inclusive batizá-lo!

Para apadrinhar entre em contato conosco pelo telefone (67) 3222-1205 ou e-mail: contato@institutoararaazul.org.br

Foto: Cezar Corrêa

Tenho uma propriedade no Pantanal, posso ajudá-las ainda mais?

Claro! A principal ação é o plantio e a conservação da principal árvore usada para a nidificação das araras-azuis no bioma: os manduvis e das árvores usadas para a alimentação: bocaiúvas e acuris.

Outra forma de ajudar é a instalação de ninhos artificiais – feita por nossa equipe. Caso tenha interesse solicite nossos serviços técnicos, que consistem em 3 fases: diagnóstico da área, confecção e instalação dos ninhos e monitoramento dos ninhos instalados. Para maiores informações sobre nossos serviços e valores, entre em contato através do e-mail: contato@institutoararaazul.org.br 

Compre nossos produtos ou faça uma doação 

Ao comprar nossos produtos você também ajuda os nossos projetos: acesse a nossa loja aqui. Sobre as doações, qualquer valor é de grande ajuda! Elas podem ser via PIX, PayPal ou Pagseguro. Clique para doar.

Foto: Cézar Corrêa

Esperamos que ao longo desse texto, você tenha conhecido melhor este projeto tão importante para essa espécie maravilhosa! Pedimos que ajude na divulgação do nosso trabalho: divulgue essa matéria com seus amigos e familiares. Quanto mais pessoas a conhecerem, entenderem as ameaças que ela enfrenta e saberem do Projeto Arara Azul, mais pessoas unidas teremos lutando por sua conservação.

 

Texto por Jéssica Amaral Lara

Revisado por Gustavo Figueirôa